terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

NAVEGANDO EM MARES DISTANTES


Nada como renovar nossos agradecimentos. Registro aqui o quanto fiquei feliz ao ver o Refinaria77 no twitter do Ericson Straub, da conceituada Revista abcDesign. Uma grande honra. Obrigado Ericson!!

Neste mesmo clima, agradeço imensamente a Ligia Fascioni por fazer parte de sua recheada lista de blogs de design. Ligia, muito obrigado!! Finalizando, aproveito o ensejo para agradecer aos diversos amigos que contribuem para a disseminação das reflexões expostas aqui, no R77.


Abs

domingo, 29 de janeiro de 2012

DA DIDÁTICA AO DESIGN*



Uma pergunta recorrente, daquelas que fazíamos e ainda ouvimos muito na fase escolar, me vêm à mente após adentrar os estudos da disciplina 'Didática I', ministrada pela professora Adélia Koff (2011), inicialmente através da abordagem pedagógica tradicional, aquela enraizada no ato de transmitir informação. Então perguntamos: por que devo aprender isso? ou quem sabe, para quê aprender aquilo?

Tal questionamento acima tem sua razão de existir na trajetória escolar do aluno. Se não conseguimos projetar sentido e significado àquilo que está sendo "transmitido" em sala de aula, não iremos exercer nem mesmo interiorizar tal conteúdo, praticando o simples ato de decorar. Chamaria de 'educação finita', aquela com prazo de validade. O indivíduo se equilibra naquilo que é dito e transmitido, então memoriza e reproduz até que o conhecimento seja substituído por outro e mais outro, percorrendo toda a sua jornada escolar.

O impacto é negativo e a longo prazo, pois adquiri-se ojeriza àquelas disciplinas comumente rotuladas como 'desnecessárias' pelos mesmos que disseminam as perguntas colocadas em pauta. O efeito é prolongado e desastroso, com consequências no instante em que o aluno ingressa no ensino superior. Vemos que o hábito de lidar superficialmente com temas sócioculturais, políticos e históricos se estende sem criticidade. Um ensino que produz 'seres acríticos'.

Devemos aprender a aprender, já dizia a abordagem escolanovista. Aqueles que abraçam tal prática conseguem projetar sentidos e significados. Percebem que estão mergulhados em um processo de construção e reconstrução, de transformação e de descoberta, de si para si mesmo e para os outros, continuamente. Esta abordagem enfatiza o conhecimento construído a partir do contato direto do sujeito com a realidade do mundo. Um processo em via de mão dupla.

Tal conceito se encaixa perfeitamente numa tendência atual do design, conhecida por 'design thinking', que de forma resumida seria a ação ou prática de pensar o design. Ellen Kiss, professora e coordenadora acadêmica da Pós-Graduação em Design Estratégico da Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo (ESPM) nos diz que:

O foco de abordagem é totalmente no usuário, no indivíduo. É entender, compreender quais as reais necessidades, desejos das pessoas, como elas se relacionam com as outras ou com determinados produtos ou serviços. Muda o foco da capacidade produtiva de uma empresa para uma demanda do usuário. (...) Vou fazer uma investigação muito mais profunda a respeito do indivíduo do que uma pesquisa quantitativa poderia me fornecer.

A coordenadora enfatiza que esta tendência do design trabalha "no formato de colaboração, colocando todos os agentes em uma mesma área para trabalhar e criar coletivamente. Isso permite uma integração muito maior."

Racionalidade, eficiência e produtividade. Características cada vez mais valorizadas e requisitadas em nossa sociedade, em nosso dia a dia, exaltadas pela abordagem tecnicista e neotecnicista. Adquiri-se conhecimento técnico-prático para em pouco tempo abastecer uma área específica do mercado cuja demanda grita bem alto e nem sempre em português. Somos reconhecidos pelo desempenho em quantidade, principalmente, no menor tempo possível. Precisamos ir além disso e equilibrar os pesos entre as necessidades mercadológicas e a formação do cidadão. E como diz o professor Marcos Masetto (1998):

Nossos alunos precisam discutir conosco, seus professores, os aspectos políticos de sua profissão e de seu exercício nesta sociedade, para nela saberem se posicionar como cidadãos e profissionais.

Concluo considerando como espinha dorsal, assim como a própria disciplina o faz, os princípios abordados pela pedagogia crítica, que além de expor e favorecer o diálogo nas relações interculturais em diversos âmbitos, relaciona-se diretamente com a formação do designer e com sua a prática. Pelo menos deveria ser assim. Liberdade para transitar em diferentes campos e a valorização das diferenças estão ligadas aos processos de criação dentro dos mais variados projetos.

Pensar design é teorizar e praticar o exercício das relações entre os diferentes grupos socioculturais, é discutir em esferas além da materialização de uma marca, peças e produtos, é buscar o benefício da integração, aproximar pessoas, é investigar, e como a 'didática crítica', pautado na pluralidade.

Referências:
KOFF, Adélia Maria Nehme Simão. As abordagens pedagógicas I e II. Texto especialmente elaborado para a disciplina Didática I do Curso de Docência no Ensino Superior da Estácio de Sá. Rio de Janeiro, 2011.

KISS, Ellen. Conceito do design thinking entra na pauta da criação. Disponível em: http://www.designbrasil.org.br/noticias/conceito-do-design-thinking-entra-na-pauta-da-criacao Acesso em: 21 out. 2011.

MASETTO, Marcos Tarciso (Org.). Docência na Universidade. Campinas: Papirus, 1998.

*Texto originalmente escrito no curso de 'Pós-Graduação em Docência no Ensino Superior' (Estácio-RJ) para a disciplina 'Didática I', ministrada pela Professora Adélia Maria Nehme Simão e Koff. Adaptado para o blog.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

FORMAÇÃO CONTÍNUA E DESESTRUTURADA (PARTE 2)*


Durante minha trajetória acadêmica, iniciada pelo curso de Engenharia Civil, onde o 'ser utilitário' é tão resistente quanto os alicerces que sustentam essa profissão, encontrei a liberdade criativa no design gráfico, porém, sem me dar conta, e hoje vejo assim, de que mesmo distante do concreto e das vigas estava tão próximo da 'utilidade' quanto na primeira. 

Ao longo desses oito anos dentro de duas universidades, não fui motivado o suficiente para enxergar um 'sentido' e 'função' além do horizonte do ofício. Em parte, admito uma imaturidade provinciana, que me levou a negligenciar a busca por meios de expandir os níveis apresentados como forma de ser catapultado diretamente para o mercado, mas considero responsabilidade da instituição de ensino garantir ao estudante a possibilidade de contato com conteúdo disciplinar que o faça refletir sobre seu caráter formativo, e não apenas sob o "predomínio da razão instrumental", como o professor Pedro Goergen deixa claro em suas análises e convicções.

E concluo com suas palavras quando diz que "ao mesmo tempo em que a universidade deve produzir competentemente conhecimentos, ela não pode descuidar do olhar crítico, da reflexão acerca do sentido social daquilo que produz", por isso a necessidade de uma disciplina com a abordagem proposta aqui anteriormente. Em suma, os resultados precisavam ser e continuam sendo, necessariamente, imediatos. O império do imediatismo está longe de declinar. Goergen coloca bem a questão da utilidade quando diz que esta é "o novo fetiche, a nova entidade mágica a comandar todo o desenvolvimento do conhecimento e da tecnologia como motores do desenvolvimento e do progresso".

Trazendo isso para nossa realidade, em âmbito nacional e principalmente em nosso estado, estamos vivenciando um processo que se intensificou logo após a escolha do Brasil como sede dos jogos olímpicos e da copa do mundo de futebol, sem esquecer, e seria leviano da minha parte, do protagonismo que a área petrolífera vem conquistando em grande velocidade. A necessidade do instrumento técnico de abastecimento é clara e evidente.

Diante das questões apresentadas por Goergen e pautadas aqui, referindo-se ao "conhecimento como mercadoria, do produto acadêmico como produto industrial e da universidade como empresa", conclui-se que, em decorrência deste processo, a formação contínua e desestruturada daquele estudante desenhado no início dessas linhas (ver parte 1) está bem longe de ser encarada como um problema. Vejo com urgência que aqueles que encontram-se percorrendo o nobre caminho da docência, e direciono minhas palavras com certo apreço para a área de design gráfico, discutam e disseminem as questões apresentadas aqui para que possamos de alguma forma interferir neste cenário, com a exclusiva intenção de criar novas perspectivas para o ensino superior em nosso país.

Referência:
GOERGEN, Pedro. Universidade e responsabilidade social. In: LOMBARDI, J. C. (Org.). Temas de pesquisa em educação. Campinas: Autores Associados, 2003. p. 101-122.

*Texto originalmente escrito no curso de 'Pós-Graduação em Docência no Ensino Superior' (Estácio-RJ) para a disciplina 'História e Política do Ensino Superior', ministrada pela Professora Alzira Batalha. Adaptado para o blog.

domingo, 2 de outubro de 2011

FORMAÇÃO CONTÍNUA E DESESTRUTURADA (PARTE 1)*



A trajetória da educação no Brasil carrega consigo profundas feridas ainda abertas, cuja origem remete a tempos longínquos. A cada percurso dentro da história brasileira – contextualizando seus períodos na representatividade do regime de governo da época – o ensino educacional vai adquirindo status de 'sonho dourado' no desenvolvimento do país, principalmente aos olhos daqueles que se dedicam verdadeiramente àquela que deveria ser a maior riqueza de uma nação.

Ao investigarmos o passado, trazemos à tona as raízes desse processo educacional, que tem nos dias de hoje, o grande desafio de se alinhar a uma geração que ao mesmo tempo em que estão conectados numa globalização desenfreada, não encontram ao longo da vida estudantil a sua verdadeira função social. A partir daí temos um acesso contínuo e desestruturado desses estudantes no ensino superior, com o objetivo e a responsabilidade maior de atender as necessidades imediatas do mercado sem o mínimo de formação capaz de diferenciá-los de mais um instrumento técnico de abastecimento.

Compartilho do pensamento do professor Pedro Goergen (2003) sobre o conceito de "formação", quando diz: "entendo-o no seu sentido mais amplo e profundo de conscientização e familiarização com os grandes temas e problemas que envolvem e preocupam o ser humano na atualidade". "A ideia que defendo", continua ele, "é que o dever formativo é parte inerente ao compromisso social da universidade."

Vejo tal conceito como algo intrínseco ao "desenvolvimento integral do indivíduo", como Goergen define bem, antecedendo toda e qualquer profissão. Este mesmo indivíduo ao terminar um curso de graduação, ao receber da instituição de ensino o seu diploma, deveria ouvir desta não apenas o elogio de que será um grande profissional, mas sim, um excelente professor. Essa capacidade que lhe é entregue, ou seja, sua formação, resultará numa reestruturação da própria universidade, colocando este recém-formado como peça essencial na disseminação do propósito docente.

Não defendo aqui a inibição do potencial técnico, criando-se amarras que contrariem o mercado e desarticulem estruturas comerciais construídas e consolidadas, mas um meio para distanciar de forma equilibrada e sem cunho 'ditatorial' o profissional da simples e rasa 'utilidade'.

Acredito na preparação fundamentada do aluno no exercício da reflexão, da argumentação e da didática, tendo em vista os estudantes que ingressarão nesta área de conhecimento, sendo ele um professor, como para o público consumidor dos seus serviços, sendo ele um profissional voltado para o mercado. Aprender para ensinar deveria ser princípio básico, matéria obrigatória em qualquer segmento, definitivamente uma causa nobre, antecedendo e muito, o ato de 'aprender para vender' e para 'se vender'. Ambas são administradas com ênfase na vida de todo profissional que trabalha com design, independentemente da sua ramificação.

Referência:
GOERGEN, Pedro. Universidade e responsabilidade social. In: LOMBARDI, J. C. (Org.). Temas de pesquisa em educação. Campinas: Autores Associados, 2003. p. 101-122.

*Texto originalmente escrito no curso de 'Pós-Graduação em Docência no Ensino Superior' (Estácio-RJ) para a disciplina 'História e Política do Ensino Superior', ministrada pela Professora Alzira Batalha. Adaptado para o blog.

domingo, 25 de setembro de 2011

UM BREVE DISCURSO

Desde meu ingresso no curso de 'Pós-Graduação em Docência no Ensino Superior' no início deste ano, tenho exercitado muito a reflexão sobre os caminhos do design gráfico assim como do próprio profissional, e em particular, deste que escreve essas linhas. Acredito que os artigos colocados em discussão tomem um rumo diferente nas postagens seguintes. Pretendo dialogar mais sobre a "formação reflexiva" do designer, no âmbito do ensino superior e como profissional de mercado. Preliminarmente, me faço presente em uma frase cunhada do livro 'Design, cultura e sociedade', de Gui Bonsiepe.

"(...) um design gráfico livre das acrobacias autorreferenciais de design".

Um abraço