sexta-feira, 30 de julho de 2010

DEIXE O BRANCO SER BRANCO



É comum ver pessoas sensíveis ao branco. Causa desconforto. E são muitas. Talvez você seja assim, como já fui um dia. Não falo daquele efeito causado por uma forte incidência de claridade ou algo do gênero. Falo do branco como parte de uma criação com objetivo claro e definido. O que muitos profissionais chamam de 'branco conceitual'. Ele é visto como 'ausência' e, de fato, realmente é, mas esta tem uma razão de ser, mesmo que questionada.

Não se trata de preguiça ou 'inadimplência criativa' do designer, trata-se de uma aplicação consciente para que a mensagem seja absorvida sem interferências ou excessos. Já ouvi muitos dizerem que se estão pagando por um trabalho, como aceitar uma página vazia? Querem uma solução criativa, hora! Retruco então: e quem disse que não é? Para se destacar em meio a tanta informação, num caos de cores e textos, com o objetivo de chamar a atenção, o vazio fala mais alto. Evidente que, se for levado ao pé da letra, e você deve ter pensado nisso, não haveria necessidade de um processo de criação, sendo sempre a alternativa mais acessível. Isso é verdade. Se não existe uma boa justificativa, joga no 'branco conceitual'! Essa é exatamente a diferença entre os que desenvolvem com conceito e aqueles que o usam como subterfúgio.

Lembro-me agora do poster do filme Scarface, imortalizado por Al Pacino. Um legítimo branco clássico! Temos a revista 'vida simples', da editora abril, como um excelente exemplo de projeto gráfico que 'abraça' o branco de forma que este encontra-se intrinsicamente no propósito da publicação. Desde a singela imagem contida na capa até a última linha da última página, a revista deixa explícito que cada elemento alí é fruto de um processo bem estruturado. E o branco é aquele que se destaca por destacar os outros. Ainda podemos encontrar diversos exemplos, basta dar um passeio pela banca mais próxima ou em lojas como a tok&stok. Acredito que exista uma tendência quanto a essa linha de design, e isso não se restringe ao mercado editorial.
Vamos deixar que o branco seja mais que apenas o fundo do papel!

Abraços

quinta-feira, 24 de junho de 2010

ROCK VIA SATÉLITE



Dia 22 de junho de 2010 foi um dia histórico. Ao redor do mundo, sem sair do lugar, vimos e ouvimos rock via satélite direto de Sofia, na Bulgária. Na internet? Dessa vez não. Foi dentro de um cinema. Eis que estamos diante de uma nova forma de interagir com a música. Uma experiência inovadora, muito divertida e curiosa! Participei do evento na rede UCI do New York City Center, aqui no Rio.

Quatro das maiores bandas do mundo, chamados de 'the big four' - diga-se Metallica, Slayer, Megadeth e Anthrax - tocaram num festival itinerante chamado Sonisphere, que está percorrendo a europa. Será uma tendência para os próximos anos? Na impossibilidade de acompanhar sua banda ou cantor favorito ao redor do globo, ou até mesmo no nosso próprio país, teremos a chance de fazer parte da audiência. Som alto e imagens em ângulos que te levam para dentro do show. É verdade que não foi exatamente um show em tempo real, com algumas edições, alguns atrasos e interferências na transmissão ocorreram aqui e ali mas no geral foi algo bem interessante.

Evidente que o calor daquele momento, vivenciado no próprio ambiente do show nunca será igual mas valeu a experiência. Independente do estilo e gosto musical de cada um, o que realmente importa é a forma como nos conectamos. Que venha o próximo! Conheça mais sobre o evento no site oficial:

Abraços

quarta-feira, 9 de junho de 2010

MARCA BRASIL



A marca Brasil é forte. Tem muita história pra contar. A história de cada um. De cada brasileiro que estará em campo em mais uma copa do mundo. Falo dos jogadores, de você e de mim. Das lembranças que a cada quatro anos retornam, nos alimentam e repousam em nossas mentes. O mundial invade a vida de todos trazendo não apenas o triunfo da bola ao deslizar em redes adversárias, o delírio das arquibancadas e uma taça erguida aos céus. A copa mostra quem somos.

Quem teve o prazer de acompanhar a série de reportagens apresentada pelo jornalista Tino Marcos no Jornal Nacional da Rede Globo sabe a que me refiro. Uma aula sobre como tratar um tema de forma que este atinja aqueles que nem sabem, ou não se importam em saber, quantos jogadores fazem parte de um time. Muito além do futebol, nossos jogadores foram expostos em sua origem. Aquilo que faz de uma marca, uma marca forte: a sua essência. A postura emocional diante da rigidez que a vida nos impõe. Pudemos ver como um nome é construído, reconhecido e valorizado.

Contada pelos próprios jogadores, familiares e amigos, a série emociona. Emociona por ser verdadeira. Por ser real. Isso nos aproxima. Sabemos agora que, aqueles que conduzem a bola em dias de copa, carregam mais que um símbolo, cores e grafismos estampados na camisa. Carregam na alma.
Que venha mais um título! Veja os videos em 'série seleção':
http://g1.globo.com/videos/jornal-nacional

Abraços!

domingo, 6 de junho de 2010

PROJETO BUELLBR



De volta aos posts. Ausente devido a mais uma mudança nestes meus dez anos de Rio de Janeiro, completados recentemente. Bom, caixas de papelão a parte, vamos as novidades. Fui convidado por um amigo, Jessé, para fazer a estampa das camisas da galera da BuellBR para um encontro em São Bento do Sapucaí-SP. A ideia deles foi fazer uma brincadeira com o slogan 'Real men ride twins', explorando a imagem da 'buell' com duas garotas. Um trabalho de organização de informações, proporção, tipografia e vetores. Manusear uma marca tão reconhecida nesse meio foi gratificante e novo para mim. Muito legal ter participado, de certa forma, deste evento. Saber que todos gostaram e ver a estampa passeando entre a galera foi e está sendo um prazer enorme. Agradeço a todos pela oportunidade! Para aqueles que não conhecem as motos Buell, deixo aqui o site oficial:
Abraços

sábado, 24 de abril de 2010

ANALOGIAS E INTERPRETAÇÕES


Sempre gostei de analogias. Como diz o dicionário: o ponto de semelhança entre coisas diferentes. Falar sobre algo através de linhas de pensamentos que percorrem vastos terrenos distantes da ideia que se deseja comunicar inicialmente. Fugir do literal. Não se trata da famosa 'enrolação' ou do 'falou, falou e não disse nada'. Chamaria de ilustração, um recurso para enriquecer o tema, até mesmo contribuindo para uma melhor percepção e entendimento por parte do leitor e/ou ouvinte. Cito como exemplo as diversas analogias que fazemos - em diversas situações cotidianas - com o futebol. Este esporte ilustra e exemplifica o empenho, objetivos, metas, conquistas que temos diariamente, tanto na vida pessoal quanto na profissional. Até mesmo nas derrotas. Isso mostra que certos vocabulários estão enraizados em nossa cultura que colocá-los somente em seus lugares de origem é praticamente impossível. Além de perdermos uma boa oportunidade de 'divagar'! Bem, em tempos de copa do mundo então, só dá futebol!

Na minha profissão, gosto de 'brincar' com as táticas futebolísticas - como tantos outros, um amante - mas existe um ofício que aprecio demais o fervor e a intensidade da forma como este se manifesta: atuar. A maneira como o ator interpreta, como constrói o personagem, como se comunica é fascinante. Conhecendo e entendendo o processo que o leva a tal façanha é ainda melhor. Quão rico é ver como a pesquisa foi feita, as referências, os laboratórios, o contato 'na pele' com aquilo que se almeja dar vida, para que o processo de construção seja materializado, ganhe e ofereça 'veracidade' ao público.

Lembro de ter lido em uma entrevista do ator Caio Blat, uma frase que dizia mais ou menos assim: 'o grande ator é aquele que consegue desaparecer no personagem'. Uma ótima definição. A entrega total, aliada a técnica e a sensibilidade de quem e para quem está criando. Temos notícias de atores que se entregam de tal forma que chegam a ganhar ou perder quilos e quilos. Uma imersão que vai muito além dos textos. Christian Bale, conhecido por interpretar o 'Batman', emagreceu tanto (mas tanto!) para fazer o filme 'O operário' (ótimo!!!) que chega a ser surreal o seu estado físico!


Interpretar faz parte deste ofício tanto quanto do design, para quem cria e para quem vai consumir. O processo é o que nos aproxima. É o que valoriza e dá consistência ao trabalho. Sem processo, sem entrega, não existe construção. Existe apenas o improviso. Como os atores, improvisar é um ótimo recurso, salva uma cena, uma apresentação e demonstra capacidade em situações de risco. Mas nada substitui o controle proveniente de um verdadeiro processo de criação. E este, muitas vezes solitário, é o que nos dá confiança para enfrentar o público.
Abraços!